segunda-feira, 17 de maio de 2010

Coisas estúpidas em mim #4

Sábado à noite, saímos todos. Aniversário da Ba, jantar seguido de bar. Jantámos, dançámos, bebemos e voltámos a dançar (e a beber). Mas o que eu queria era ir para casa dela. Já estava tudo programado: ela tinha trazido a agulha, o álcool e o piercing. Assim que ela me disse que e como tinha feito, a primeira coisa que consegui dizer foi "também quero!". Disse que não tinha doído nada e que era fácil de fazer. Óptimo. Aproveitei a noite e as bebidas oferecidas. Típico. Dançávamos em cima do balcão e ofereciam-nos shots e outras porcarias que não bebi. 3h da manhã fomos para casa. Toda a gente me disse para não o fazer, que ia dar merda no estado em que estava e que eu era maluca da cabeça. "Se não correr bem eu tiro logo", garantia eu. Chegámos a casa da Kat (onde acabámos por dormir), mandei a mala para um canto do quarto e atirei-me para cima da cama de barriga para cima. Nem me mexi mais. A Ba organizou as coisas. Desinfectou a agulha e o piercing, foi buscar lenços e uma pinça. Deitou-se por cima de mim e disse "abre a boca e levanta bem a língua" disse ela. Sim senhora, assim o fiz. Senti a agulha trespassar o freio (descobri que é o nome daquela coisinha) e perguntei "já esta?" "Sim, mas agora vou ter de alargar isso um bocadinho para deixar passar o piercing" respondeu ela, enquanto me enchia a boca com papel para secar a saliva e o sangue. Quando ela o fez senti as lágrimas nos olhos, não pela dor mas pela impressão que aquilo me fazia. "Já está?" "Não ..." "Já está?" "Não ...!" "E agora? Já está?". Perguntei isto umas cinco vezes no espaço de dez minutos. Queria perguntar mais, mas pensei que se me tinha metido naquilo, agora aguentava-me à bronca. E assim foi. "Agora vou pôr-te o piercing ...". Allright. Com a pinça agarrou no piercing, enquanto eu ainda estava de agulha espetada na língua. Só ouvia o som de metal a chocar um no outro (a pinça e o piercing) e a Kat em cima de nós a observar todo o cenário com um ar de nojo e choque que só me dava vontade de rir. "Já está!" disse ela. Levantei-me e fui ver ao espelho. E o que vi foi isto ...



Liguei a uns amigos que tinham ido comprar pão com chouriço. Vieram ter connosco e mostrei-lhes a nova aquisição. "Tu és marada desses cornos J.". "Obrigada, também gostei tanto quando vi" disse eu. Ficámos à porta do prédio a comer e depois entrámos para dentro. Eram umas 5h quando fomos dormir. Não consegui, fiz directa. Na manhã seguinte fui comer. Estava de ressaca e com a língua completamente inchada e a doer como merda. Bebi um iogurte e demorei uns dez minutos a comer uma banana. No dia seguinte o mesmo ritual. Pensei em tirar aquilo e acabar com a festa de uma vez por todas. Mas não o fiz. O pior já tinha passado. E tinha mesmo. Quatro meses depois tive de o tirar para fazer um raio-x à boca (outro festival no meio do pavilhão desportivo para tirar isto: eu deitada no chão de boca aberta, umas 5 pessoas em cima de mim e o piercing no mesmo sítio. Depois lá saiu) e não o voltei a pôr.


5 comentários:

  1. Oh pah, nao te vou dizer que és louca ou doida até porque quem vê isso é a primeira coisa que diz, mas qual é a ideia de pôr um piercing onde ninguem vê? És masoquista?

    Gosto dos teus textos, parabens pelo blog ^^
    Doida!

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  2. Pára gente, eu já coloquei um piercing no freio, como foi minha primeira vez ficou inchado (devido a reação a xilocayna) e eu fique com muito medo e tirei no mesmo dia, mas vou por outra vez.
    Piercing no lugar escondido, eu acho o seguinte, você coloca onde se sentir bem e não em um lugar que você nem acha legal só porque todos podem ver. É o que eu respondo quando me dizem "Ah, porque no freio? É um lugar tão escondido."
    Não vou te chamar de louca nem nada, todos me chamaram quando eu coloquei, mas não tem nada demais, é só um piercing, achei loucura só o fato de vc não por com um profissional.
    :D

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