terça-feira, 6 de abril de 2010

Tenho ...

saudades tuas. Tenho saudades da tua voz no meu ouvido, ao mesmo tempo que me agarras as mãos e me percorres as costas. Lembras-te de eu dizer que me metias medo às vezes? Tenho saudades desse olhar, como olhavas quando tinhas alguma coisa para me dizer por não teres gostado de alguma coisa que te tivesse dito ou feito. Mas nunca dizes. Só me olhas com aquele olhar meio agressivo meio divertido com a cara que eu te faço. Não tenho saudades de falares brasileiro só para me irritar. Tu sabes tão bem que eu odeio brasileiros*, e ainda odeio mais quando começas a falar como eles, com as mesmas expressões que eu tanto abomino como 'oi gata' e coisas do género. Portanto, podes parar com isso. De vez. Depois de tanto tempo te chatear para cortares a barba, nem que seja só uma vez para eu ver como ficas, sonhei com isso. Sonhei que vinhas ter comigo de cara limpinha e camisola de manga à cava. Não gostei. Não gostei mesmo nada, nem da tua cara sem barba nem da camisola de alças. Não parecias tu. E eu gosto que sejas tu, apesar de tudo. Apesar de seres orgulhoso, teimoso e casmurro. Talvez menos que eu, mas mesmo assim, és. E tu sabes que eu tenho feito mais esforço que nunca para pôr o orgulho de lado. Desculpa por te ter prejudicado com ele, por ser como sou. Mas eu avisei-te, logo desde inicio. Quando ainda "só" andávamos a falar, lembras-te? Disse, em tom de brincadeira, que era muito orgulhosa. Eu avisei. Posso ser a maior cabra do mundo, mas pelo menos as pessoas já sabem para o que vêm. Vêm para sofrer muahahah. Vá, estou a brincar, tu sabes. E quando tu fizeste aquilo que eu te pedi logo para não fazeres e ainda vieste gozar comigo por o teres feito? Não sabias que eu estava mesmo a falar a sério quando te pedi, foi? Pronto, ficaste logo a saber. Mandei-te à merda e ignorei-te, enquanto falavas. Ou foi para o caralho? Já não me lembro. Parece que já foi há uma eternidade, não parece? A mim parece. Pediste-me desculpa não sei quantas vezes, disseste que não sabias que era assim tão importante para mim. Não sabias porque não quiseste saber, ora. E disseste que apesar de tudo, por um lado, era bom teres feito, porque viste que eras mesmo importante para mim. Eu acho que já te tinha dito que o eras, escusavas de ter feito tanto arraial. Mas pronto, já lá vão uns tempos. Eu gosto mesmo muito de ti, tu sabes isso. Mas acho que nunca to disse olhando nos olhos ... Não, nunca o fiz. Desculpa. Já o devia ter feito, quero que saibas que é sincero o que sinto por ti. Sendo assim, tenho uma coisa para te dizer quando voltarmos a estar juntos. É surpresa, não a estragues se fazes favor. Já sei como és, portanto previno-te já: não a estragues. Continuo a ter saudades tuas. Esta semana matamos saudades, M..

*não quero generalizar mas, na maioria, não gosto muito deles não.

4 comentários:

  1. É isso, diz-lhe olhos nos olhos, não há maneira melhor de o fazer, mata saudades...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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