segunda-feira, 26 de abril de 2010

Hoje sigo-te as pegadas

Hoje, só hoje, sigo-te as pegadas. Sigo-te as pegadas porque é o que me resta de ti. O teu rasto está por toda a parte e, por mais que me esforce, não o consigo apagar. As cinzas da tua partida continuam no sofá, o teu perfume ainda preenche o ar, a tua voz ecoa nas paredes, fazendo-me companhia todas as noites em que não estás presente, por todos os dias em que estiveste, e os vestígios da tua passagem continuam marcados no meu coração, aquele que eu te dei, lembras-te? Tu és tu. A outra parte de mim. A metade de mim que levaste contigo, no dia em que nos conhecemos. Se eu seguir as tuas pegadas, dir-me-ão elas onde te encontrar? Vou procurar-te, noutros mundos, noutras vidas, noutros corpos, mas não noutros dias. Só hoje. Amanhã talvez ganhe a esperada coragem e rasgue tudo o que fala por ti, uma vez que tu não estás (nem nunca mais vais estar). Mas hoje não. Se eu hoje seguir o teu rasto perdido, talvez ainda (te) encontre. A outra metade de mim. A parte que em ti ficou. Vagueio sobre o chão por onde andaste com uma carta na mão. De despedida ou de regresso, como quiseres. Tu foges de mim? Não, tu segues-me. Só hoje.

7 comentários:

  1. Podia ter sido escrito por mim... e ainda lhe sigo as pegadas mais vezes do que gostava, na realidade... beijinho*

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  2. Bom texto ,com uma boa dose de sentimento nele

    Se quizeres continuar a percorrer o rasto,so seguires o teu instinto

    Se o deseijas apagar,desliga o som que ouves desse trilho por mais que custe,o tempo encarrega se de nao o deixar ecorar mais

    Farewell Longshadow *

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  3. "o teu perfume ainda preenche o ar" oh se preenche... porque raio usarão eles perfumes tão bons, que não desaparecem passado horas?!
    ainda hoje, há minutos atrás, fiquei novamente com o seu cheiro. e já sei que não vai passar tão cedo....
    beijinho

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  4. Mas falar é tão difícil ás vezes...!
    É contraditória esta situação; por mais que nos fujam e se afastem de nós, mais lhes sentimos o cheiro, mais lhes recordamos as vozes, mais alimentamos a saudade.
    Beijinho

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